Blog do Inédito

Inteligência artificial e AI? o que eu tenho “A” ver com “I”....sso?
06/Mai/19autor: Emerson Dias
Inteligência artificial e AI? o que eu tenho “A” ver com “I”....sso?

Passei toda a minha vida ouvindo da minha mãe que coisa boa era coisa natural, sucos feitos a partir da fruta são melhores que sucos de pozinho, dizia ela.

Cresci com a ideia de que coisa artificial, não! Comida artificial, sorriso artificial, gente artificial e por aí vai. Hoje em dia tem até praia artificial com ondas artificiais, assim como parque de esqui com neve artificial e campo de futebol com grama artificial.

Até AI tudo estava indo bem, o mundo parecia distinguir as duas coisas, mas agora, voltado do último congresso da ANEFAC, aprendi que o que me ensinaram na escola de que a espécie humana se diferenciava dos animais porque era capaz de raciocinar, danou-se. Parece que a inteligência também aderiu a moda artificial e pelo que vi, está ameaçando o emprego de muita gente, inclusive dos meus amigos contadores, o Silvio Meira[1] deixou muita gente sem dormir desde sua palestra, o mar - não de Pernambuco - mas da angústia de lançou sobre todos eles.

Sobre quem eu vou escrever minhas crônicas se a profissão acabar? Vivenciei este pensamento por várias noites, mas num súbito momento lembrei-me de Frankestein, o romance de Mary Shelly que inclusive este ano completa 200 anos de sua 1ª publicação.

O romance retrata o medo do homem sobre o avanço da máquina [a vapor] roubando o seu trabalho nas fábricas. Frankestein era o ápice da inventividade humana, dar vida a um ser criado pelo homem, o que depois se transformou em arrependimento ao ver que perdeu o controle de sua própria criação, já que ela não saiu exatamente com ele pensava.

Duzentos anos depois estamos aqui sentindo o mesmo medo. Porém, se hoje tememos o avanço da inteligência artificial, é porque James Watt (1736-1819) inventou a máquina a vapor. Se hoje escrevo aqui, é porque em meados de 1400 Gutemberg criou a prensa e automatizou o processo de produção de livros, ambos desempregaram alguns profissionais, mas possibilitaram a criação de centenas de outros trabalhos indiretamente.

Da primeira máquina fotográfica [daguerreotipo] até assistir um vídeo em realidade aumentada via celular, nem percebemos que existe o cinema, a TV e que acender uma lâmpada com um botão é tão simples que nem percebemos existir a eletricidade, a não ser quando falta, ou quando cai o WI-FI, mas, espera AI: quem, ao discutir sobre a máquina a vapor e os empregos que ceifava, previa o cinema ou imaginaria que as pessoas ficariam em casa assistindo um equipamento que transmitiria imagens [TV]? Mas isso, que são verdadeiras industrias hoje, só foram possíveis com a eletricidade e derivam de tudo que foi possível fazer após a máquina a vapor.

Então venha cá meu amigo contador, será mesmo que essa inteligência artificial vai roubar ou seu lugar? Ou será que não é você que estava roubando o lugar dela já algum tempo?

O ser humano é capaz de encontrar soluções para progredir, tem sido assim há milhares de anos, e já passamos por 3 revoluções industriais. Se estamos na 4ª, não será essa a nos frear, não sairemos dela como entramos, sairemos melhores, com novos olhares, novas soluções e, certamente novas tarefas. Mas sempre me pergunto, por que temos sempre medo do novo?

Em capacidade de processamento de dados não temos como competir com as máquinas, o maior enxadrista do mundo já sabe disso. Com relação a força física, idem. Qualquer fortão de academia nunca venceu um trator, nossos olhos não tem visão com infravermelho, nos cansamos, precisamos de férias e por ai vai.

A máquina sempre será melhor nessa competição onde tudo é matemático, algorítmico e com muitos dados que, pra elas, é fácil processar. Mas e com poucos dados? Como se toma esta decisão? Com feeling, percepção, intuição, emoção, empatia, criatividade e liderança, e aí não tem jeito, somos e seremos sempre melhores.

Temos medo, e o medo nos faz escapar da morte, nos dá juízo. É verdade que algumas vezes atrapalha, principalmente quando o medo é de algo imaginário. Só nós temos essa capacidade. Estamos agora diante do medo da falta de trabalho, é hora, mais do que nunca de desenvolvermos nossa inteligência emocional [conjunto de competências emocionais e sociais] para lidar com a artificial, a emoção é o grande motor propulsor do comportamento humano, investiga-la será cada vez mais preciso, enquanto isso ficamos com o medo do desconhecido, como criança assustada debaixo do cobertor, ouvindo passos, mas que são apenas barulhos causados pelo vento.

Como disse o psicólogo Amós Tversky: “Enquanto meus amigos se ocupam em estudar a Inteligência Artificial eu me contento em tentar entender a estupidez natural [do homem]”

[1] Palestrante do último congresso ANEFAC em Porto de Galinhas/PE que mostrou o impacto da inteligência artificial sobre a profissão de contador.

 

Se você tem um causo inusitado, engraçado ou curioso envolvendo o mundo corporativo para contar, envie para esta coluna pelo e-mail comunicacao@anefac.com.br, que nosso lorde está pronto para escrachar. Mas pode ficar tranquilo, como todo lorde que se preze, Lord Excrachá é discreto. (Importante: As identidades dos colaboradores desta coluna não serão divulgadas.) Lord Excrachá é criação de Emerson W. Dias, diretor de Liderança e Gestão de Pessoas da ANEFAC e fundador do portal e da série de livros O Inédito Viável.

Este texto saiu prmeiro na Revista da ANEFAC confira no link:http://revistaanefac.com/lord-excracha/

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